• Dra. Fabiola Monaco

Brincando você ajuda seu filho


Dentre os vários recursos que utilizamos tanto em psicopedagogia como em reabilitação cognitiva, estão os jogos de regras. Com eles é possível desenvolver experiências valiosas de maneira prazerosa, estimulante e com ampla abrangência de benefícios (cognitivos, afetivos, sociais). Você pode utilizar uma versão mais simplificada dos protocolos de atendimento clínico que adaptamos para fazer em casa com seu filho. Essa experiência também pode ser feita em revitalização de idosos.

Os jogos podem ser aqueles tradicionais e fáceis de encontrar, como damas, trilha ou dominó, por exemplo. O que vai fazer toda a diferença é a maneira de conduzir o processo.


Antes de começar a jogar: se você se colocar ao lado do seu filho para descobrirem (ou relembrarem) juntos como o jogo funciona, é um bom começo para estabelecer um clima de empatia, exercitar a confiança no outro, em si mesmo e a troca de ideias. Você também pode fazer isso contanto algo sobre o jogo, como sua origem ou uma curiosidade, por exemplo. Na clínica, este também é um começo para todo um trabalho de desconstrução de resistências a desafios (cognitivos e afetivos) já instalados no psiquismo em razão de experiências anteriores que foram frustrantes.


Durante o jogo: o processo é intrinsecamente estimulante. Coordenar pensamentos e ações segundo as demandas e possibilidades das regras do jogo promove o exercício de várias funções cognitivas e executivas (tais como controle de atenção, memória de trabalho, raciocínio, planejamento, abstração, criatividade, percepção viso espacial, praxias etc.). Mas atenção: há também educação afetiva. Ganhar e perder são igualmente importantes. Se, por um lado, o sentimento de capacidade de jogar bem contribui para manter a motivação e os benefícios em questão, por outro lado, a experiência de perder, algumas vezes, ajuda a pessoa a lidar positivamente com os desafios (contribuindo para a autoconfiança, o autodomínio, a resiliência etc.). A maneira como você reage, diante do seu filho, quando perde o jogo, vai ser a referência para esse aprendizado. Capriche, com bom senso, nos exemplos que dá.


Terminado o jogo: continue mais um pouco. Em clima de “rememorar os momentos divertidos” estimule seu filho a falar sobre suas jogadas. O que pensou, como, quando e por que tomou as decisões que tomou. O que deu certo e o que deu errado. Isso ajuda a desenvolver habilidades de memória, interpretação, discurso etc. Na clínica este também é um momento importante de estímulo à metacognição e a autopercepção (competências, habilidades). Também é um momento de perceber e analisar os erros (e aprender com eles: isso também promove uma nova postura diante do revés e da frustração).

Concluindo, uma dica final, não menos importante: faça com que seja divertido e o processo, seguindo essas dicas, fará o resto!



Para saber mais:


ANTUNES, C. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências.10.ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

KISHIMOTO, T. M. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira, 1998.

MACEDO, L. Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2005.

NEGRINE, A. O lúdico no contexto da vida humana: da primeira infância à terceira idade. In:_____ Brinquedoteca: a criança, o adulto e o lúdico. 1.ed. Petrópolis - RJ: Vozes, 2000.

VISCA, J. Introdução aos Jogos Lógicos No Tratamento Psicopedagógico: história, regras e significado psicopedagógico. São José dos Campos: Pulso Editorial, 2012.

http://www.brinquedoteca.org.br/2017/10/27/o-brincar-jogar-com-jogos-de-regras/


R. Mal. Deodoro, 2722 - Centro, São Carlos - SP, 13560-200, Brasil

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